- Araceae
- Meia-sombra
- Rega espaçada
- Tóxica para pets
Aglaonema
Aglaonema commutatum
A folhagem desenhada que aguenta corredor sem janela. Touceira compacta de folhas desenhadas em prata e verde, que segue firme em cantos escuros, seca entre as regas e quase não pede manutenção.
Índice de facilidade calculado a partir de dificuldade, manutenção, rega, umidade exigida e tolerância a descuido. Como calculamos.
Foto: Daderot · CC0 via Wikimedia Commons
O que cada nota significa nesta espécie
As mesmas 9 escalas são aplicadas a todas as espécies do catálogo, o que permite a comparação direta entre duas plantas quaisquer.
Aceita cantos claros, longe da janela, com poucas horas de claridade.
Rega a cada 12 a 18 dias, sempre com o substrato bem seco.
Perdoa quase todos os erros de rega, luz e esquecimento.
Agradece um agrupamento de vasos ou um prato com pedras úmidas.
Boa para aparador, cabeceira e bancada.
Ganha corpo devagar, sem precisar de troca de vaso frequente.
Uma limpeza de folhas e adubo ocasional dão conta.
Passa duas semanas de férias sem grande estrago.
Encara os pontos mais escuros da casa sem perder folhas.
Sobre a aglaonema
A aglaonema ocupa o piso das florestas do sudeste asiático, sob copas que deixam passar uma fração mínima da luz do dia. É uma herbácea de caule ereto e curto que cresce por um único ponto de crescimento, empurrando uma folha por vez a partir da bainha da anterior. Por isso a touceira sobe em espiral e não ramifica sozinha acima do substrato. As lâminas são coriáceas, de quinze a trinta centímetros de comprimento, com desenhos em prata, creme ou verde-claro que acompanham as nervuras secundárias. O sombreamento extremo do ambiente de origem explica exatamente a característica que fez a fama da espécie dentro de casa.
Em vaso, crescer por um só ponto tem uma consequência prática incômoda: com os anos, as folhas de baixo caem e sobra um caule nu, marcado por cicatrizes anelares, sustentando um tufo no alto. Isso não é doença, é a arquitetura da planta. Chegando a esse estado, corte a coroa oito centímetros abaixo da folha mais baixa, enraíze o pedaço retirado e mantenha o toco no vaso: ele costuma emitir de dois a quatro brotos laterais em dois meses, e o conjunto volta mais cheio do que era antes. É a mesma operação que os viveiros usam para multiplicar estoque.
Os enganos frequentes vêm de expectativa errada. O primeiro é tratá-la como tropical sedenta: o caule guarda água, o substrato leva cerca de dez dias para secar em janeiro e quase três semanas em julho, e a rega semanal apodrece a base em uma única temporada. O segundo é comprar um cultivar de folha rosa ou avermelhada para um corredor sem janela. Os desenhos claros dependem de tecido com pouca clorofila e, na sombra profunda, a planta abandona o pigmento e devolve folhas verdes uniformes. Frio também cobra caro: abaixo de 15 °C surgem manchas encharcadas em dois ou três dias.
Os nomes de etiqueta indicam grupos com exigências bem diferentes. "Silver Queen" e "Maria" são as prateadas clássicas, tolerantes ao escuro e praticamente indestrutíveis em cultivo doméstico. "Silver Bay" forma touceira mais larga e é a que ganha volume mais rápido. Já "Siam Aurora", "Red Valentine" e "Lady Valentine", de nervura rosa ou vermelha, vêm de cruzamentos com outras espécies asiáticas e precisam de luz indireta bem mais forte para manter a cor viva. A folhagem contém oxalato de cálcio e machuca a boca de cães e gatos, e a seiva deixa pele sensível coçando depois de uma poda sem luvas.
Também conhecida como: Nova-vida, Aglaonema-prateada, Planta-da-sorte.
A folhagem e a seiva leitosa concentram ráfides de oxalato de cálcio. Cães e gatos que mastigam uma folha apresentam ardência na boca, salivação intensa, patadas no focinho e vômito em pouco tempo. Nas mãos de quem poda sem luvas, a seiva costuma provocar coceira e vermelhidão que duram algumas horas.
Rotina de cultivo, ponto por ponto
Iluminação
É uma das raras folhagens que se mantêm íntegras a quatro ou cinco metros de uma janela, ou em ambiente iluminado apenas por lâmpada acesa oito horas por dia. Nessas condições ela cresce devagar, mas não perde folhas nem se alonga de forma desengonçada. Em luz indireta média, a dois metros da janela, emite cerca do dobro de folhas por ano. A regra muda para os cultivares rosados e avermelhados, que precisam de claridade forte e filtrada para não desbotar. Sol direto por mais de meia hora deixa manchas esbranquiçadas permanentes na lâmina.
Rega
Deixe metade do volume do vaso secar antes de regar de novo: cerca de dez dias entre dezembro e março e dezoito ou mais entre junho e setembro. Confira enfiando o dedo até a segunda falange ou um palito de churrasco até a metade da altura do recipiente. Molhe até escorrer pelos furos e esvazie o prato em seguida. Água muito fria, abaixo de 15 °C, provoca manchas nas folhas de exemplares mantidos em ambiente quente, então deixe o regador descansando na temperatura da sala antes de usar.
Solo e substrato
Substrato leve e drenante, com pH entre 5,5 e 6,5. Uma mistura de duas partes de substrato para folhagens, uma de casca de pinus fina e uma de perlita garante ar em volta das raízes mesmo depois de um ano inteiro de regas. Terra de jardim pura vira placa impermeável em poucos meses e é o caminho mais curto até a podridão do caule. Renove a mistura a cada dois ou três anos, sempre na primavera, ainda que o vaso continue do mesmo tamanho, porque o material velho compacta e retém sal.
Umidade do ar
Trabalha bem entre 45% e 70% de umidade relativa, faixa que cobre a maioria das salas e escritórios. Aguenta ar seco muito melhor do que marantas e samambaias, embora menos do que a espada-de-são-jorge: abaixo de 40% por semanas seguidas as pontas ficam pardas e quebradiças. Um prato com pedras úmidas ou o agrupamento de três vasos já compensa. Não é preciso borrifar as folhas e, em ambiente sem ventilação, a água parada sobre a lâmina favorece manchas escuras de origem bacteriana.
Temperatura
Faixa confortável entre 20 °C e 29 °C, com tolerância a picos de 33 °C. A sensibilidade ao frio é o ponto marcante: abaixo de 15 °C aparecem manchas cinza-esverdeadas e encharcadas em dois ou três dias, e o tecido danificado não regenera. Em cidades de inverno rigoroso, essa é a espécie que precisa entrar em casa antes de todas as outras. Mantenha o vaso longe de frestas, de portas que abrem para a rua e do fluxo direto do ar-condicionado, que combina frio e ar seco no mesmo golpe.
Adubação
Adube de outubro a março, uma vez por mês, com fertilizante equilibrado para folhagens diluído a meia dose. Ela vem de solo de floresta com nutrição fraca e constante, e não converte dose alta em crescimento: o excesso queima as pontas e deixa crosta esbranquiçada na borda do vaso. Suspenda de abril a setembro, quando o crescimento praticamente cessa. Se a planta vive em ambiente escuro, duas aplicações por temporada bastam, porque o consumo de nutrientes acompanha de perto a quantidade de luz que ela recebe.
Poda e limpeza
Não existe poda de formação além do corte de coroa, feito quando o caule fica nu demais. Folhas velhas amareladas saem rente à bainha, com tesoura limpa e sem deixar toco. As inflorescências, espatas esverdeadas e sem valor decorativo, podem ser cortadas assim que despontam, porque consomem energia que iria para folha nova. Limpe as lâminas com pano úmido a cada duas ou três semanas: em uma planta que já vive com pouca luz, a camada de pó reduz de forma perceptível a produção anual de folhas.
Vaso e transplante
Prefira vaso apenas dois ou três centímetros mais largo do que o anterior, sempre com furo de drenagem. Ela gosta de ficar levemente apertada, e o excesso de substrato úmido em volta do caule é o principal fator de podridão da base. O transplante costuma ser necessário a cada dois ou três anos, quando as raízes aparecem na superfície ou saem pelos furos. Como a touceira é baixa e espalhada, recipientes mais largos do que fundos ficam mais estáveis, mais proporcionais à planta e ainda secam mais rápido.
Propagação
Três caminhos funcionam bem. A divisão da touceira é o mais rápido: no transplante, separe uma haste que já tenha raízes próprias e plante em vaso de doze centímetros. O corte de coroa resolve a planta de caule nu — corte oito centímetros abaixo do tufo, retire as folhas de baixo e enraíze em água trocada a cada três dias ou direto em substrato úmido, em local claro e aquecido. As raízes aparecem em três a cinco semanas. Também é possível deitar pedaços de caule com dois nós sob um centímetro de substrato.
2 partes de substrato para folhagens, 1 parte de casca de pinus fina e 1 parte de perlita.
Intervalo estimado mês a mês
Estimativa para vaso plástico de porte médio, em ambiente de claridade média. Ajuste o vaso, o local e o ar do ambiente na ferramenta completa.
Enfie o dedo até a segunda falange: só regue se o substrato estiver seco nessa profundidade e o vaso estiver leve.
Sintomas comuns e o que fazer
A leitura correta do sintoma evita o erro clássico de regar mais uma planta que já está encharcada.
| Sintoma | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|
| Caule nu embaixo, com todas as folhas concentradas no alto | Arquitetura natural da espécie, acelerada por claridade fraca demais. | Corte a coroa oito centímetros abaixo do tufo, enraíze o pedaço em água e mantenha o toco no vaso: ele rebrota em dois ou três meses com várias hastes. |
| Base do caule escura e mole, folhas amarelando de baixo para cima | Podridão por rega frequente demais, sobretudo entre maio e agosto. | Desenvase, corte todo tecido amolecido, deixe o corte secar ao ar por algumas horas e replante em mistura com perlita, regando só depois de uma semana. |
| Manchas cinza-esverdeadas e encharcadas surgindo após uma noite fria | Dano por frio abaixo de 15 °C, comum em vaso esquecido na varanda. | Leve para dentro imediatamente, suspenda a rega por dez dias e corte só as folhas muito comprometidas. As demais recuperam a firmeza, mantendo as marcas. |
| Desenho prateado ou rosado desaparecendo, folhas novas verdes uniformes | Luz insuficiente para um cultivar variegado sustentar tecido sem clorofila. | Mude o vaso para um ponto com luz indireta forte e filtrada; as folhas seguintes voltam a apresentar o desenho, e as que já nasceram verdes não mudam. |
| Pontas e bordas pardas e quebradiças em várias folhas ao mesmo tempo | Sal de fertilizante acumulado, água muito calcária ou ar abaixo de 40% de umidade. | Lave o substrato na pia por dois minutos a cada semestre, corte a dose de adubo pela metade e instale um prato com pedras e água ao lado do vaso. |
Pragas que aparecem com mais frequência
- Cochonilha-farinhenta: Massa branca de aspecto algodonoso escondida na bainha das folhas e nas cicatrizes do caule, muitas vezes só descoberta ao afastar as folhas de baixo. Passe cotonete com álcool a 70% em cada bainha atacada e pulverize calda de sabão neutro em três rodadas com cinco dias de intervalo entre elas.
- Ácaro-rajado: Perda de contraste do desenho prateado, pontilhado claro no verso e teia muito fina entre a folha e o caule, em ambientes de ar seco. Lave a folhagem no chuveiro, seque o excesso de água acumulada nas bainhas e aplique óleo de neem em duas sessões separadas por dez dias.
- Mosquinha do substrato: Insetos escuros de dois ou três milímetros levantando voo do vaso quando alguém encosta, principalmente nas primeiras horas depois da rega. Espace mais as regas até a superfície secar por completo, cubra o substrato com um centímetro de areia grossa e use armadilha adesiva amarela por três semanas.
Dicas de cultivo
- Escolha o cultivar pela luz do lugar, não pela cor que você prefere: prateados para cantos escuros, rosados e avermelhados só perto de janela filtrada.
- Na compra, aperte de leve a base do caule. Firmeza indica planta sadia; qualquer moleza aponta podridão já em andamento, mesmo com a folhagem ainda bonita.
- Guarde a coroa cortada quando o caule ficar nu. São duas plantas pelo preço de uma, e o toco costuma rebrotar mais cheio do que o original.
- Recolha o vaso da varanda logo nas primeiras noites de maio abaixo de 15 °C. O dano por frio aparece dias depois do episódio e não tem correção.
- Use luvas na poda e lave a tesoura em seguida. A seiva leitosa irrita a pele e mancha bancada clara de forma persistente.
- Plante três mudas no mesmo vaso se quiser aparência cheia logo. Sozinha, a planta leva de dois a três anos para formar touceira densa.
Regar toda semana o ano inteiro, o que apodrece a base do caule durante o inverno.
Curiosidades
- O nome do gênero junta duas palavras gregas, uma para brilhante e outra para fio, em referência aos estames reluzentes da inflorescência — detalhe que quase nenhum cultivador chega a observar, já que a espata é apagada e costuma ser cortada.
- As variedades de nervura rosa e vermelha foram desenvolvidas na Tailândia a partir dos anos 1980, cruzando esta espécie com aráceas de folha colorida do próprio sudeste asiático. Antes disso o gênero só existia em cultivo nos tons de verde e prata.
- Ela produz frutos: bagas ovais que amadurecem do verde ao vermelho intenso ao longo de vários meses, cada uma com uma semente grande. O cacho maduro chama muito mais atenção do que a espata que o originou.
- Em boa parte da Ásia a planta acompanha inaugurações de comércio como símbolo de prosperidade, e é dessa tradição que vem o apelido de planta-da-sorte usado nas floriculturas brasileiras.
- É uma das pouquíssimas ornamentais que mantêm saldo positivo de fotossíntese em níveis de claridade nos quais a maioria das folhagens já gasta mais energia do que produz. Daí a presença dela em corredores e halls internos de prédios comerciais.
corredor sem janela · quarto · escritório de luz artificial · primeira planta. Menos indicada para: varanda exposta ao frio e casas com animais que mastigam folhas.
Coloque a aglaonema frente a frente
As espécies abaixo têm exigências parecidas e costumam disputar o mesmo lugar da casa. A afinidade indica o quanto elas se aproximam nas 9 escalas.
Se gostou desta, considere também
Peperômia-melancia
Peperomia argyreia
96% de afinidade com a aglaonema. Folhas com desenho de casca de melancia.
Zamioculca
Zamioculcas zamiifolia
93% de afinidade com a aglaonema. A folhagem que atravessa um mês de esquecimento sem reclamar.
Planta-de-ferro
Aspidistra elatior
93% de afinidade com a aglaonema. A folhagem que aceita os cantos mais escuros.
Pau-d'água
Dracaena fragrans
92% de afinidade com a aglaonema. Tronco robusto com folhagem larga e listrada.
Dúvidas sobre a aglaonema
De quanto em quanto tempo regar a aglaonema?
Em média, a cada 10 dias no verão e a cada 18 dias no inverno. Enfie o dedo até a segunda falange: só regue se o substrato estiver seco nessa profundidade e o vaso estiver leve.
Aglaonema precisa de sol direto?
Não. A espécie trabalha com meia-sombra e o sol direto pode marcar as folhas de forma permanente.
É tóxica para cães e gatos?
A folhagem e a seiva leitosa concentram ráfides de oxalato de cálcio. Cães e gatos que mastigam uma folha apresentam ardência na boca, salivação intensa, patadas no focinho e vômito em pouco tempo. Nas mãos de quem poda sem luvas, a seiva costuma provocar coceira e vermelhidão que duram algumas horas.
Serve para quem nunca cuidou de plantas?
Sim, é uma boa primeira planta. O nível de dificuldade é muito fácil e a manutenção de rotina é baixa, o que dá um índice de facilidade de 77 em 100 no nosso cálculo.
Qual o melhor lugar da casa para ela?
O ambiente que rende melhor é corredor e hall. A espécie chega a 25 cm a 60 cm, prefere temperatura entre 20°C a 29°C e umidade do ar de 45% a 70%.
Cresce rápido?
O ritmo é lento. Emite de quatro a oito folhas por temporada quente em luz indireta média, e menos da metade disso em ambiente escuro. Ganha poucos centímetros de altura por ano.
Qual substrato usar?
Leve, levemente ácido e de drenagem rápida. Uma mistura que funciona bem: 2 partes de substrato para folhagens, 1 parte de casca de pinus fina e 1 parte de perlita.
Aguenta ficar sem rega durante uma viagem?
Só por poucos dias. A tolerância ao esquecimento é média: passa duas semanas de férias sem grande estrago.




