- Marantaceae
- Meia-sombra
- Rega frequente
- Segura para pets
Maranta-tricolor
Maranta leuconeura
Folhas que sobem ao anoitecer e baixam de manhã. Folhagem rasteira de nervuras vermelhas que recolhe as folhas à noite, vive bem longe da janela e não perdoa ar seco nem água dura.
Índice de facilidade calculado a partir de dificuldade, manutenção, rega, umidade exigida e tolerância a descuido. Como calculamos.
Foto: Tangopaso · Public domain via Wikimedia Commons
O que cada nota significa nesta espécie
As mesmas 9 escalas são aplicadas a todas as espécies do catálogo, o que permite a comparação direta entre duas plantas quaisquer.
Aceita cantos claros, longe da janela, com poucas horas de claridade.
Rega a cada 4 a 6 dias; não gosta de secar por completo.
Pede rotina razoavelmente constante para ficar bonita.
Só fica impecável em banheiro úmido, estufa ou com umidificador.
Boa para aparador, cabeceira e bancada.
Cresce de forma visível a cada estação quente.
Poda leve, adubo mensal no calor e giro do vaso.
Aguenta cerca de uma semana antes de reclamar.
Segue bonita em salas internas e corredores claros.
Sobre a maranta-tricolor
As folhas da maranta se movem de verdade. Ao anoitecer elas se erguem e se fecham como mãos postas, e ao amanhecer voltam à horizontal, um mecanismo chamado nictinastia. Quem comanda o gesto é o pulvino, uma articulação inchada na base do pecíolo que bombeia água de um lado para o outro e altera a pressão interna do tecido. O movimento acompanha o ciclo de claridade e reduz a exposição da lâmina durante a noite. Serve também de termômetro: planta hidratada e bem posicionada faz o gesto todo dia.
No sub-bosque de mata fechada ela cresce rente ao chão, sob várias camadas de copa, e é por isso que aceita cantos com pouca claridade dentro de casa. Em vaso forma uma touceira baixa e espalhada, com caules que rastejam e enraízam ao encostar no substrato, o que deixa o exemplar cada vez mais denso ao longo dos anos. Vasos largos e rasos ou cachepôs de borda baixa combinam melhor com esse hábito do que vasos altos, e a folhagem acaba caindo sobre a borda.
A principal armadilha é a água da torneira. Cloro e, sobretudo, flúor se acumulam nas margens das folhas e provocam uma borda marrom seca que avança para dentro, dano que nenhuma correção posterior reverte. Água filtrada, água de chuva ou água deixada em jarra aberta por vinte e quatro horas resolvem boa parte do problema. Some a isso o ar seco de inverno e o resultado é uma planta permanentemente com bordas queimadas, mesmo com rega correta e claridade adequada.
O nome do gênero homenageia Bartolomeo Maranta, médico e botânico italiano do século XVI, e reúne parentes próximos como as calateias e as estromantes, todas com o mesmo pulvino articulado. A maranta é a mais tolerante do grupo à pouca luz e a mais fácil de multiplicar, o que faz dela uma boa porta de entrada para quem quer folhagem desenhada sem enfrentar de imediato a exigência das calateias. Não há toxicidade relatada para cães e gatos.
Também conhecida como: Planta-da-oração, Maranta-pena-de-pavão, Maranta-vermelha.
Não consta em listas de plantas tóxicas para cães e gatos, e está entre as folhagens mais indicadas para casas com animais. A ressalva vale para qualquer espécie: folha em quantidade pode provocar vômito ou fezes moles, e o substrato adubado costuma incomodar o estômago mais do que a folha em si.
Rotina de cultivo, ponto por ponto
Iluminação
Meia-sombra é o ponto de conforto: dois a três metros de uma janela clara, ou colada a uma janela voltada para o sul, com cortina. Sol direto desbota o desenho em poucos dias e transforma o verde escuro em um tom lavado e opaco. No extremo oposto, escuridão total achata o contraste das nervuras e alonga os pecíolos. Se as folhas pararem de subir à noite, em geral falta claridade durante o dia, e não água.
Rega
Mantenha o substrato levemente úmido o ano inteiro, regando quando o primeiro centímetro estiver seco ao toque, a cada quatro ou cinco dias no verão e a cada oito ou nove no inverno. Use água filtrada, de chuva ou deixada descansando por um dia, sempre em temperatura ambiente. Molhe pela borda do vaso, evitando encharcar o miolo da touceira, e descarte o que sobrar no prato depois de dez minutos.
Solo e substrato
Ela quer uma mistura que segure água sem asfixiar a raiz, que é fina e superficial. Substrato para folhagens com fibra de coco e perlita, em proporção de dois para um para um, funciona bem por cerca de dois anos. Húmus de minhoca em pequena quantidade melhora a estrutura e dá nutrição lenta. Evite substratos turfosos vendidos comprimidos: depois de secarem uma vez, eles endurecem e passam a repelir a água em vez de absorvê-la.
Umidade do ar
Abaixo de 55% de umidade relativa as bordas começam a secar, e o dano é cumulativo. A faixa boa vai de 60% a 80%. Um prato largo com pedras e água logo abaixo da base do vaso, o agrupamento com outras folhagens ou um umidificador pequeno ligado algumas horas por dia dão conta do recado. Cúpulas de vidro funcionam bem em exemplares jovens. Borrifar molha a folha por minutos e, em ar parado, favorece manchas bacterianas.
Temperatura
Entre 20 °C e 27 °C ela cresce sem sobressaltos. Abaixo de 15 °C as folhas escurecem nas bordas e o crescimento cessa; frio com substrato úmido é a combinação que mais apodrece raiz nesta espécie. Corrente de ar frio de janela aberta em noite de inverno causa dano visível em uma única madrugada. Acima de 30 °C a exigência de umidade sobe junto, e o vaso passa a precisar de conferência quase diária.
Adubação
Adube a cada três semanas na primavera e no verão com fertilizante líquido para folhagens, sempre a um quarto ou à metade da dose indicada no rótulo. As raízes são sensíveis a sal, e o excesso aparece como borda marrom idêntica à causada por água dura. Suspenda no outono e no inverno. Uma lavagem do substrato em água corrente a cada seis meses evita o acúmulo e faz diferença visível na aparência das folhas.
Poda e limpeza
Corte na base, junto ao substrato, qualquer folha que amarele ou fique mais marrom do que verde, usando tesoura limpa. Encurtar os caules que rastejaram demais estimula brotação no centro da touceira e evita o aspecto de planta oca no meio, com folhas apenas nas bordas. Guarde as pontas cortadas para propagar. Limpe as folhas com pano macio e úmido a cada quinze dias, sem nenhum produto que prometa brilho.
Vaso e transplante
Vaso raso e largo acompanha melhor o sistema radicular superficial e o hábito espalhado. Plástico ou cerâmica esmaltada mantêm a umidade por mais tempo do que barro cru, que aqui trabalha contra. Transplante a cada dois anos, na primavera, subindo apenas dois ou três centímetros de diâmetro. Furo de drenagem é obrigatório: cachepô fechado acumula água no fundo e apodrece a touceira sem que nada apareça na superfície.
Propagação
É a mais generosa das marantáceas na multiplicação. Corte um trecho de caule com dois nós, logo abaixo do nó inferior, retire a folha de baixo e coloque em copo com água filtrada, em local claro. As raízes aparecem em duas ou três semanas e, com cinco centímetros, a estaca vai para um vaso pequeno com substrato leve. A divisão da touceira no transplante também funciona, desde que cada pedaço leve raiz e ao menos três folhas.
2 partes de substrato para folhagens, 1 parte de fibra de coco e 1 parte de perlita, com meia parte de húmus de minhoca.
Intervalo estimado mês a mês
Estimativa para vaso plástico de porte médio, em ambiente de claridade média. Ajuste o vaso, o local e o ar do ambiente na ferramenta completa.
Mantenha o substrato levemente úmido: regue assim que a superfície secar, sem deixar água parada no prato.
Sintomas comuns e o que fazer
A leitura correta do sintoma evita o erro clássico de regar mais uma planta que já está encharcada.
| Sintoma | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|
| Bordas marrons e secas com o miolo da folha ainda verde | Cloro e flúor da água de torneira, ou umidade do ar baixa demais. | Passe a usar água filtrada ou deixada em jarra aberta por um dia e monte um prato com pedras úmidas sob o vaso. Apare a borda seca com tesoura acompanhando o contorno da folha. |
| Folhas enroladas para dentro no meio do dia | Substrato seco demais ou raiz danificada por acúmulo de sal de adubo. | Cheque o substrato: se estiver seco, hidrate por imersão em bacia por quinze minutos. Se estiver úmido e a folha continuar enrolada, lave o substrato para retirar sal e reduza o adubo pela metade. |
| Folhas param de se levantar à noite | Falta de claridade durante o dia ou desidratação prolongada. | Aproxime o vaso de uma janela com cortina fina por duas semanas e mantenha a rega em dia. O movimento volta assim que o ciclo de luz e a hidratação se normalizam. |
| Manchas escuras encharcadas espalhadas pela lâmina | Água parada sobre a folhagem em ambiente sem ventilação, favorecendo bactérias. | Pare de borrifar, remova as folhas afetadas com tesoura limpa, melhore a circulação de ar e regue apenas no substrato, nunca por cima da planta. |
| Desenho apagado e folhas novas menores | Sol direto queimando o pigmento ou, no extremo oposto, sombra profunda por vários meses. | Reposicione em meia-sombra clara, fora do raio direto, e retome o adubo diluído na primavera. As folhas seguintes já saem com o contraste correto. |
Pragas que aparecem com mais frequência
- Ácaro-rajado: Verso das folhas com pontinhos claros, teia fina nas axilas e folhagem sem brilho; sintoma clássico de ar seco. Lave a folhagem com jato suave, aumente a umidade do ambiente e aplique óleo de neem diluído no verso a cada sete dias, três vezes seguidas.
- Cochonilha-farinhenta: Pontos algodonosos na base dos pecíolos e no encontro dos caules com o substrato. Remova com cotonete embebido em álcool a 70%, corte as partes muito atacadas e trate com calda de sabão neutro por três semanas seguidas.
- Tripes: Riscos prateados e pontos escuros minúsculos na face superior, com folhas novas deformadas. Isole a planta, elimine as folhas mais atacadas e aplique óleo de neem a cada cinco dias durante três semanas, cobrindo as duas faces.
Dicas de cultivo
- Deixe a água de rega em uma jarra aberta de um dia para o outro. Boa parte do cloro evapora e a temperatura se iguala à do ambiente, dois problemas resolvidos de uma vez.
- Se a planta ficou oca no centro, corte dois ou três caules pela metade no início da primavera e replante as estacas enraizadas no próprio vaso. A touceira fecha em um verão.
- Observe o movimento noturno como sinal vital. Uma maranta que parou de fechar está avisando de algo antes que a folha mostre qualquer dano.
- Evite cachepôs decorativos sem furo. Se quiser usar um, mantenha a planta em vaso plástico interno e retire para regar na pia.
- Em apartamento com ar-condicionado ligado muitas horas, mude o vaso de cômodo no verão: qualquer ambiente com mais vapor preserva as bordas das folhas.
Regar com água direto da torneira e culpar a planta pela borda marrom que aparece semanas depois.
Curiosidades
- O movimento noturno rendeu à espécie o apelido de planta-da-oração, porque as lâminas erguidas lembram mãos juntas. O mecanismo é hídrico: o pulvino, uma articulação na base do pecíolo, muda de pressão conforme a claridade do dia se apaga.
- O gênero homenageia Bartolomeo Maranta, botânico e médico italiano do século XVI. Uma parente próxima, a Maranta arundinacea, é a araruta, cultivada há séculos pelo amido extraído dos rizomas.
- A face inferior avermelhada é comum em plantas de sub-bosque, e há uma hipótese bem discutida na botânica de que esses pigmentos ajudem a reaproveitar a luz que atravessa a lâmina, condição valiosa sob a copa fechada de uma floresta.
- A maranta floresce em cultivo, mas o evento passa despercebido: são flores minúsculas, esbranquiçadas ou lilás pálido, em hastes finas. Ninguém cultiva a espécie por elas, e muitos cortam as hastes para a planta concentrar energia na folhagem.
quarto com cortina · vaso raso e largo · casas com pets · folha desenhada. Menos indicada para: ambientes com ar-condicionado permanente e quem só rega quando lembra.
Coloque a maranta-tricolor frente a frente
As espécies abaixo têm exigências parecidas e costumam disputar o mesmo lugar da casa. A afinidade indica o quanto elas se aproximam nas 9 escalas.


Maranta-tricolor ou Calateia-orbifolia?
99% de afinidade nas escalas de cultivo


Maranta-tricolor ou Fitônia?
99% de afinidade nas escalas de cultivo


Maranta-tricolor ou Lírio-da-paz?
98% de afinidade nas escalas de cultivo


Maranta-tricolor ou Samambaia-americana?
91% de afinidade nas escalas de cultivo
Se gostou desta, considere também
Calateia-orbifolia
Goeppertia orbifolia
99% de afinidade com a maranta-tricolor. Folhas redondas e enormes listradas de prata.
Lírio-da-paz
Spathiphyllum wallisii
98% de afinidade com a maranta-tricolor. Uma das poucas que florescem longe da janela.
Samambaia-americana
Nephrolepis exaltata
91% de afinidade com a maranta-tricolor. Folhagem em cascata que vive de umidade constante.
Dúvidas sobre a maranta-tricolor
De quanto em quanto tempo regar a maranta-tricolor?
Em média, a cada 5 dias no verão e a cada 9 dias no inverno. Mantenha o substrato levemente úmido: regue assim que a superfície secar, sem deixar água parada no prato.
Maranta-tricolor precisa de sol direto?
Não. A espécie trabalha com meia-sombra e o sol direto pode marcar as folhas de forma permanente.
É tóxica para cães e gatos?
Não consta em listas de plantas tóxicas para cães e gatos, e está entre as folhagens mais indicadas para casas com animais. A ressalva vale para qualquer espécie: folha em quantidade pode provocar vômito ou fezes moles, e o substrato adubado costuma incomodar o estômago mais do que a folha em si.
Serve para quem nunca cuidou de plantas?
Ela cobra alguma experiência. O nível de dificuldade é intermediária e a manutenção de rotina é média, o que dá um índice de facilidade de 42 em 100 no nosso cálculo.
Qual o melhor lugar da casa para ela?
O ambiente que rende melhor é quarto. A espécie chega a 25 cm a 40 cm, prefere temperatura entre 20°C a 27°C e umidade do ar de 60% a 80%.
Cresce rápido?
O ritmo é moderado. Na estação quente lança uma folha nova a cada dez ou quinze dias e cobre a borda do vaso em um verão. No frio pausa e pode descartar as folhas mais velhas.
Qual substrato usar?
Leve, com boa retenção de umidade e drenagem livre. Uma mistura que funciona bem: 2 partes de substrato para folhagens, 1 parte de fibra de coco e 1 parte de perlita, com meia parte de húmus de minhoca.
Aguenta ficar sem rega durante uma viagem?
Só por poucos dias. A tolerância ao esquecimento é pequena: aguenta cerca de uma semana antes de reclamar.