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Antúrio

Anthurium andraeanum

Espata encerada que fica aberta por dois meses. Epífita de folha coriácea e espata encerada em vermelho, rosa ou branco, que floresce o ano todo em luz indireta forte e substrato grosso.

38/100
Pede atenção

Índice de facilidade calculado a partir de dificuldade, manutenção, rega, umidade exigida e tolerância a descuido. Como calculamos.

Calendário de rega
Antúrio (Anthurium andraeanum), folhagem de interior em detalhe

Foto: Krzysztof Ziarnek, Kenraiz · CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

Luz
Luz indireta forte
Rega no verão
a cada 6 dias
inverno: a cada 11 dias
Altura em vaso
30 cm a 55 cm
Pequena (25 a 50 cm)
Temperatura ideal
20°C a 28°C
mínima tolerada: 15°C
Umidade do ar
60% a 80%
Alta
Solo
Grosso e arejado, do tipo usado para epífitas
Crescimento
Lento
Ambiente ideal
Sala de estar
Manutenção
Média
Origem
Florestas úmidas do oeste da Colômbia e do noroeste do Equador, entre 300 e 1.500 metros de altitude
Escalas de cultivo

O que cada nota significa nesta espécie

As mesmas 9 escalas são aplicadas a todas as espécies do catálogo, o que permite a comparação direta entre duas plantas quaisquer.

Necessidade de luz 4/5
Luz forte

Quer luz abundante o dia todo, colada em janela com cortina fina.

Frequência de rega 3/5
Moderada

Rega a cada 7 a 10 dias, quando os primeiros centímetros secam.

Nível de dificuldade 3/5
Média

Pede rotina razoavelmente constante para ficar bonita.

Umidade do ar ideal 4/5
Alta

Quer 60% ou mais de umidade; ar seco queima as pontas.

Tamanho médio 2/5
Pequena

Boa para aparador, cabeceira e bancada.

Velocidade de crescimento 2/5
Lento

Ganha corpo devagar, sem precisar de troca de vaso frequente.

Necessidade de manutenção 3/5
Média

Poda leve, adubo mensal no calor e giro do vaso.

Tolerância ao esquecimento 2/5
Pequena

Aguenta cerca de uma semana antes de reclamar.

Tolerância à pouca luz 2/5
Pequena

Sobrevive em canto escuro, mas cresce torta e sem cor.

Sobre a antúrio

O antúrio não é planta de chão. Na mata do Chocó colombiano ele vive encaixado em forquilhas de árvore, com raízes grossas agarradas à casca e expostas ao ar, alimentadas por folha em decomposição e água de chuva que escorre pelo tronco. Esse detalhe define todo o cultivo em vaso: a raiz quer ar, material grosso e umidade passageira, nunca terra fina e encharcada. A parte colorida e envernizada não é pétala, e sim uma espata, bráctea modificada de cutícula espessa que permanece aberta de seis a oito semanas. As flores verdadeiras são minúsculas e ocupam, dispostas em espiral, o espádice amarelo que sai do centro.

No vaso a planta cresce a partir de um caule curto e vertical que ganha cerca de um centímetro por mês, expondo nós e raízes aéreas conforme as folhas de baixo caem. Em dois ou três anos ela fica com aspecto de pescoço nu sustentando um tufo no alto. A correção é direta: replantar mais fundo, enterrando os nós expostos, ou cortar a coroa abaixo de duas raízes aéreas e replantá-la em vaso novo. Um exemplar adulto e bem posicionado emite uma folha a cada cinco ou seis semanas e, junto com ela, um botão de espata. Sem folha nova, portanto, não existe flor nova.

A maior parte dos antúrios que morrem em casa morre pelo mesmo motivo: o substrato fino e escuro do vaso de loja, que retém água ao redor de raízes acostumadas ao ar livre. O apodrecimento começa nas pontas brancas das raízes e só chega à parte visível semanas depois, com folhas novas cada vez menores e base do caule amolecida. O segundo erro é de expectativa. Exemplar comprado com quatro espatas abertas costuma passar meses sem repetir a floração enquanto se adapta à casa, e quase todo mundo interpreta a pausa como falta de nutrição, aumenta a dose de fertilizante e piora o quadro.

O comércio quase nunca vende a espécie pura: a maioria são híbridos selecionados para vaso, de talo curto e espatas em vermelho, rosa, coral, branco e até verde. "Dakota" e "Tropical" são os vermelhos clássicos de espata grande; "Midori" traz espata verde do começo ao fim; "Otazu" puxa para o vinho quase preto; a linha "Small Talk" foi desenhada para vasos de doze centímetros de boca. Vale saber que espatas brancas e claras mancham de marrom com respingo de água e com o toque repetido dos dedos. Folha e espata contêm oxalato de cálcio e ferem a boca de cães e gatos que mordem.

Também conhecida como: Flor-flamingo, Antúrio-vermelho, Antúrio-de-flor.

Atenção com animais e crianças

Toda a planta contém ráfides de oxalato de cálcio, inclusive a espata colorida, que é justamente a parte que mais atrai a curiosidade dos animais. A mordida causa ardência intensa, salivação, dificuldade para engolir e vômito em cães e gatos, com inchaço da boca que pode se arrastar por horas.

Como cuidar

Rotina de cultivo, ponto por ponto

Iluminação

Luz indireta forte é condição para florescer: a um metro de uma janela ampla, ou colada em janela voltada para o leste, com cortina fina filtrando o sol da manhã. Três a cinco horas de claridade intensa por dia mantêm o ciclo de botões funcionando o ano inteiro. Com menos que isso a planta continua viva e emite folhas, só que interrompe a produção de espatas em dois ou três meses, sem nenhum outro sintoma que denuncie a causa. Sol direto do meio-dia por mais de vinte minutos desbota a espata e queima manchas pardas na lâmina.

Rega

Regue quando a superfície do substrato estiver seca e ainda houver leve umidade a três centímetros de profundidade, o que dá em torno de seis dias no verão e onze no inverno. Molhe em volta da planta até escorrer, sem jogar água no centro da roseta nem sobre o espádice. Descarte o prato depois de dez minutos: raiz de epífita parada em água apodrece em poucos dias. Prefira água em temperatura ambiente, perto de 20 °C, e não gelada direto da torneira nas manhãs de julho, que provocam manchas nas folhas novas.

Solo e substrato

É aqui que se decide entre um antúrio bonito e um que definha. Use mistura grossa: duas partes de casca de pinus de granulometria média, uma de fibra de coco em pedaços, uma de perlita e apenas uma de substrato para folhagens. O objetivo é que a água atravesse o vaso em poucos segundos e que restem espaços de ar entre as partículas. Substrato de saco usado puro compacta em três meses e asfixia a raiz. Renove a mistura a cada dois anos, porque a casca se decompõe, encolhe e perde a estrutura que sustenta o sistema.

Umidade do ar

Ela quer de 60% a 80% de umidade relativa, valor de mata e não de sala com ar-condicionado. Abaixo de 50% as folhas novas saem menores, as bordas ficam pardas e os botões abortam ainda fechados. Prato largo com pedras e água, vasos agrupados e distância mínima de dois metros do aparelho de ar resolvem boa parte do problema. Umidificador ligado quatro horas por dia é o que dá resultado mais consistente no inverno seco. Evite borrifar a espata: a água que seca sobre a superfície encerada deixa manchas de mineral difíceis de remover.

Temperatura

Floresce de forma contínua entre 20 °C e 28 °C. Abaixo de 18 °C reduz o ritmo e pode atravessar meses emitindo apenas folhas; abaixo de 15 °C aparecem manchas escuras e o risco de podridão sobe, porque o substrato demora muito mais para secar. Acima de 32 °C a espata dura menos semanas e desbota antes do tempo. Em cidades de inverno frio, recolha o vaso da varanda ainda em maio e mantenha longe de frestas de janela: a corrente noturna de ar frio estraga mais do que a média do mês.

Adubação

De setembro a março, adube a cada duas semanas com fertilizante solúvel diluído a um quarto da dose do rótulo, preferindo fórmulas com fósforo alto, na linha 5-10-5 ou 10-30-20. Doses cheias queimam raízes finas que ficam expostas dentro do substrato grosso, sem a proteção que a terra ofereceria. No outono e no inverno, reduza para uma aplicação por mês. Uma alternativa prática é fertilizante de liberação lenta espalhado na superfície duas vezes ao ano, cerca de meia colher de chá por vaso de quinze centímetros de boca.

Poda e limpeza

Corte a espata assim que ela ficar verde-parda e o espádice enrugar, rente à base do pecíolo, com tesoura desinfetada em álcool a 70%. Antecipar esse corte poupa energia e adianta o botão seguinte em duas ou três semanas. Folhas velhas amareladas saem do mesmo modo. Nunca puxe com a mão: o tecido rasga em direção ao caule e abre ferida larga, porta de entrada para bacteriose. Limpe as lâminas com pano úmido a cada quinze dias e evite produtos de brilho à base de óleo, que entopem os estômatos e escurecem a folha.

Vaso e transplante

Use vaso apertado, apenas dois centímetros mais largo do que o bloco de raízes, e sempre com furo generoso. Ela floresce melhor com o volume todo ocupado por raiz. Plástico rígido retém umidade suficiente para a mistura grossa e é mais previsível do que barro cru neste caso específico. Transplante a cada dois anos, na primavera, aproveitando para enterrar os nós expostos do caule e cobrir as raízes aéreas com casca. Cachepô decorativo só funciona com vaso interno removível, retirado a cada rega e devolvido depois de escorrer por completo.

Propagação

A divisão é o caminho mais simples: no transplante, separe brotos laterais que já tenham três folhas e raízes próprias e plante cada um em vaso de doze centímetros. Também funciona cortar a coroa de uma planta de pescoço longo, dois centímetros abaixo de duas raízes aéreas, e replantá-la na mistura grossa; o toco que ficou costuma emitir brotos novos em dois ou três meses. Por semente exige polinização manual com pincel macio, respeitando a fase feminina do espádice, e leva de dois a quatro anos até a primeira espata.

Receita de substrato que funciona

2 partes de casca de pinus média, 1 de fibra de coco em pedaços, 1 de perlita e 1 de substrato para folhagens.

Rega ao longo do ano

Intervalo estimado mês a mês

Estimativa para vaso plástico de porte médio, em ambiente de claridade média. Ajuste o vaso, o local e o ar do ambiente na ferramenta completa.

Ajustar às minhas condições
Jan
6
dias entre regas
Verão
Fev
6
dias entre regas
Verão
Mar
7
dias entre regas
Outono
Abr
9
dias entre regas
Outono
Mai
10
dias entre regas
Outono
Jun
11
dias entre regas
Inverno
Jul
11
dias entre regas
Inverno
Ago
11
dias entre regas
Inverno
Set
10
dias entre regas
Primavera
Out
8
dias entre regas
Primavera
Nov
7
dias entre regas
Primavera
Dez
6
dias entre regas
Verão
Como saber a hora certa

Regue quando os 3 primeiros centímetros do substrato estiverem secos ao toque.

Diagnóstico

Sintomas comuns e o que fazer

A leitura correta do sintoma evita o erro clássico de regar mais uma planta que já está encharcada.

Sintoma Causa provável O que fazer
Folhas saudáveis, nenhuma espata há vários meses Claridade insuficiente ou temperatura média abaixo de 18 °C. Mude para um ponto a um metro de janela clara e garanta pelo menos 20 °C durante o dia. O primeiro botão costuma aparecer entre seis e dez semanas depois.
Base do caule amolecida e folhas novas cada vez menores Podridão de raiz por substrato fino e compactado, típico do vaso de loja. Desenvase, lave as raízes, corte todo tecido escuro e mole, replante em mistura grossa de casca e perlita e espere cinco dias para a primeira rega.
Bordas e pontas das folhas pardas e ressecadas Ar seco abaixo de 50% ou sal de fertilizante acumulado entre as partículas. Aumente a umidade com prato de pedras ou umidificador e lave o substrato em água corrente por dois minutos a cada dois meses, reduzindo a dose pela metade.
Manchas encharcadas de contorno irregular avançando da borda para o centro, com halo amarelo Bacteriose favorecida por folhagem molhada, calor e ventilação ruim. Isole a planta, corte as folhas afetadas com lâmina desinfetada a cada corte, pare de molhar a folhagem e melhore a circulação de ar em volta do vaso.
Espatas menores, desbotadas e de vida curta Sol direto batendo na planta ou calor persistente acima de 32 °C. Recue meio metro da janela ou acrescente cortina translúcida e mantenha o ambiente mais fresco nos meses de janeiro e fevereiro.
Pontos e riscos marrons na espata branca ou rosa clara Respingo de água, borrifo sobre a bráctea ou manuseio frequente com os dedos. Regue sempre no substrato, nunca por cima, e não borrife a planta. A mancha é permanente, mas a espata seguinte nasce limpa.

Pragas que aparecem com mais frequência

  • Tripes: Riscos prateados e finos na espata e nas folhas novas, com pontinhos escuros de excremento e deformação dos botões que ainda não abriram. Corte os botões deformados, instale armadilha adesiva azul perto do vaso e aplique óleo de neem em três pulverizações semanais, atingindo o interior da roseta.
  • Cochonilha-de-escudo: Placas marrons duras e imóveis grudadas ao longo da nervura central, no verso da folha, com melado brilhante escorrendo abaixo. Raspe com escova macia, limpe cada ponto com álcool a 70% e aplique óleo mineral diluído em duas passadas separadas por quinze dias.
  • Ácaro-rajado: Folha com aspecto bronzeado e opaco, pontilhado claro no verso e teia fina junto ao pecíolo; explode quando a umidade cai abaixo de 45%. Lave a folhagem no chuveiro com água morna, corrija a umidade do ambiente e alterne óleo de neem com sabão potássico em quatro aplicações a cada cinco dias.

Dicas de cultivo

  • Compre o exemplar com um ou dois botões ainda fechados, e não com quatro espatas abertas. A planta em plena floração já gastou a energia da temporada e vai parecer decepcionante nos meses seguintes.
  • Ao chegar em casa, tire o vaso do cachepô e olhe o substrato. Se for terra fina e escura, replante na mistura grossa imediatamente, mesmo com a planta florida.
  • Aproveite todo transplante para enterrar o pescoço nu do caule dois centímetros mais fundo. É o jeito mais barato de recuperar o porte compacto que ela tinha na loja.
  • Se a planta parou de florescer, mexa na luz antes de mexer no adubo. Fertilizante extra em local escuro só acumula sal no substrato.
  • Anote no calendário o dia em que cada espata abriu. Sabendo que a média é de seis a oito semanas, fica fácil identificar quando o ambiente está encurtando esse prazo.
  • Deixe as raízes aéreas em paz. Cortá-las por estética reduz a capacidade de absorção; se incomodam, cubra-as com um pouco de casca de pinus.
Erro mais comum

Manter a planta no substrato fino do vaso de loja e regar como se fosse folhagem comum.

Curiosidades

  • O espádice guarda centenas de flores hermafroditas que amadurecem em ondas, subindo em espiral: primeiro passa a fase feminina, receptiva, e só depois vem a masculina, que solta pólen. O intervalo entre as duas impede a autofecundação e obriga a polinização cruzada.
  • A espécie foi descrita a partir de material coletado na Colômbia no século XIX e leva no nome uma homenagem ao botânico que a apresentou à Europa. Em poucas décadas ela virou a base do mercado mundial de flor de corte tropical.
  • A durabilidade da espata é resultado da cutícula espessa e cerosa que recobre a bráctea. Cortada e colocada em água, ela se mantém apresentável por duas a três semanas, marca que quase nenhuma flor tropical alcança.
  • A cor não desaparece de uma vez: a espata vermelha passa por um tom acobreado e depois esverdeia, permanecendo firme na planta por mais algumas semanas. Muita gente corta cedo demais achando que é doença.
  • Depois de polinizado, o espádice engorda e produz bagas alaranjadas ou avermelhadas, com uma ou duas sementes cada. Em vaso doméstico isso é raro, porque falta o inseto polinizador específico da mata de origem.
Boa escolha para

sala clara · quem quer flor o ano inteiro · banheiro com janela · vaso de bancada. Menos indicada para: cantos escuros, ambientes secos com ar-condicionado o dia todo e casas com animais que mordem folhas.

Comparações diretas

Coloque a antúrio frente a frente

As espécies abaixo têm exigências parecidas e costumam disputar o mesmo lugar da casa. A afinidade indica o quanto elas se aproximam nas 9 escalas.

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Luz média
Frequente
Média
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Perguntas frequentes

Dúvidas sobre a antúrio

De quanto em quanto tempo regar a antúrio?

Em média, a cada 6 dias no verão e a cada 11 dias no inverno. Regue quando os 3 primeiros centímetros do substrato estiverem secos ao toque.

Antúrio precisa de sol direto?

Não de sol direto na folha, mas de muita claridade: o ideal é junto a uma janela clara, com cortina fina filtrando o excesso.

É tóxica para cães e gatos?

Toda a planta contém ráfides de oxalato de cálcio, inclusive a espata colorida, que é justamente a parte que mais atrai a curiosidade dos animais. A mordida causa ardência intensa, salivação, dificuldade para engolir e vômito em cães e gatos, com inchaço da boca que pode se arrastar por horas.

Serve para quem nunca cuidou de plantas?

Ela cobra alguma experiência. O nível de dificuldade é intermediária e a manutenção de rotina é média, o que dá um índice de facilidade de 38 em 100 no nosso cálculo.

Qual o melhor lugar da casa para ela?

O ambiente que rende melhor é sala de estar. A espécie chega a 30 cm a 55 cm, prefere temperatura entre 20°C a 28°C e umidade do ar de 60% a 80%.

Cresce rápido?

O ritmo é lento. Emite uma folha nova a cada cinco ou seis semanas no calor e, com ela, um botão de espata. Abaixo de 18 °C o ciclo desacelera e pode parar por completo.

Qual substrato usar?

Grosso e arejado, do tipo usado para epífitas. Uma mistura que funciona bem: 2 partes de casca de pinus média, 1 de fibra de coco em pedaços, 1 de perlita e 1 de substrato para folhagens.

Aguenta ficar sem rega durante uma viagem?

Só por poucos dias. A tolerância ao esquecimento é pequena: aguenta cerca de uma semana antes de reclamar.