- Asparagaceae
- Luz média
- Rega frequente
- Segura para pets
Clorofito
Chlorophytum comosum
Emite mudas já enraizadas penduradas na ponta de estolões. Touceira de fitas arqueadas com listra clara que emite mudas aéreas em estolões, guarda água em raízes tuberosas e só reclama do flúor da água de torneira.
Índice de facilidade calculado a partir de dificuldade, manutenção, rega, umidade exigida e tolerância a descuido. Como calculamos.
Foto: Umasoyee · CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons
O que cada nota significa nesta espécie
As mesmas 9 escalas são aplicadas a todas as espécies do catálogo, o que permite a comparação direta entre duas plantas quaisquer.
Precisa de um ponto claro, a 1 ou 2 metros de uma janela, sem raios batendo na folha.
Rega a cada 4 a 6 dias; não gosta de secar por completo.
Perdoa quase todos os erros de rega, luz e esquecimento.
Não faz exigências: qualquer sala comum serve.
Boa para aparador, cabeceira e bancada.
Enche o vaso em uma temporada e pede poda ou apoio.
Uma limpeza de folhas e adubo ocasional dão conta.
Passa duas semanas de férias sem grande estrago.
Aceita sombra parcial com crescimento mais devagar.
Sobre a clorofito
O clorofito cresce como uma roseta de base curtíssima, de onde saem fitas de trinta a quarenta e cinco centímetros que se arqueiam pelo próprio peso. A lâmina tem nervuras paralelas, largura de um a dois centímetros e uma quilha central que a mantém dobrada em V, formato que escorre água para o centro da touceira. Abaixo da superfície, o sistema radicular guarda a surpresa: raízes brancas e engrossadas em fusos carnosos, verdadeiros tubérculos de reserva, capazes de sustentar a planta por três semanas sem rega. Essa despensa subterrânea é a razão de o clorofito atravessar viagens e mudanças sem perder folhas.
O comportamento mais característico aparece quando os dias começam a encurtar, de fevereiro em diante. A touceira madura, de preferência em vaso apertado, dispara hastes finas e arqueadas de trinta a noventa centímetros com florzinhas brancas de seis tépalas nas articulações. As flores duram um dia e passam sem chamar atenção. O que interessa vem depois: em cada nó daquela haste se forma uma roseta em miniatura, com folhas próprias e tocos de raiz esperando um substrato para tocar. Um exemplar bem alimentado pendura de vinte a cinquenta dessas mudas em uma temporada, todas clones da planta-mãe.
O erro que mais estraga a folhagem não tem nada a ver com rega ou luz: é a qualidade da água. A espécie é sensível ao flúor, dosado na água tratada de quase toda cidade brasileira, e responde com dois a cinco centímetros de ponta seca em tom marrom-escuro, com uma linha amarelada de transição. O mesmo sintoma vem de fertilizante com superfosfato e da perlita do substrato, ambos fontes de flúor. Deixar a água descansando doze horas em jarra aberta reduz o cloro, mas não o flúor: para isso só serve água de chuva, filtrada por osmose ou desmineralizada.
A terceira peculiaridade é mecânica. As raízes tuberosas engordam a cada temporada e chegam a ocupar mais da metade do volume do vaso, empurrando o substrato para cima e deformando recipientes de plástico fino, que ficam abaulados nas laterais. Quando o substrato começa a transbordar da borda a cada rega, o recado é claro: hora de dividir a touceira ou passar para um vaso rígido dois ou três centímetros maior. Some-se a isso o fato de ser uma das pouquíssimas folhagens comuns sem princípio tóxico, e fica claro por que ela virou padrão em casa com criança e animal.
Também conhecida como: Gravatinha, Planta-aranha, Clorofito-listrado, Paulistinha.
Não tem princípio tóxico conhecido para cães e gatos, e é uma das pouquíssimas folhagens de interior liberadas sem restrição em casa com animais. Gatos são atraídos pelas fitas finas, que balançam como brinquedo, e mastigam por hábito: o resultado é vômito ocasional por causa da fibra, sem envenenamento. Mantenha as mudas aéreas fora do alcance para preservar a planta, e não o bicho.
Rotina de cultivo, ponto por ponto
Iluminação
Luz indireta forte é onde ele se resolve: a meio metro de janela clara atrás de cortina, ou em varanda coberta, somando seis a oito horas de claridade. Nessa condição as fitas chegam aos quarenta centímetros, arqueiam bem e a listra clara fica larga e definida. Em meia-sombra ficam mais curtas e moles, a listra estreita e o estolão simplesmente não é emitido. Mais de uma hora de sol de verão descora as áreas brancas e deixa vincos de tom palha no meio da fita. Já duas horas de sol da manhã em julho não causam dano nenhum.
Rega
Regue quando o centímetro superior do substrato secar, o que costuma dar cinco dias no verão e dez de junho a setembro. As raízes tuberosas garantem duas ou três semanas de esquecimento sem queda de folha, mas cada episódio de seca cobra preço na estética: dois ou três centímetros da ponta secam e a marca fica para sempre naquela fita. Molhe até escorrer pelos furos e esvazie o prato em quinze minutos. Vaso suspenso, com vento em volta, pede conferência a cada três dias no calor, porque seca antes do previsto.
Solo e substrato
Use mistura leve e drenante: duas partes de substrato para folhagens, uma de casca de pinus fina e uma de areia grossa ou pedra-pomes. Aqui vale trocar a perlita por areia, porque a perlita libera flúor no substrato e essa espécie responde com ponta seca mesmo sob rega correta. Pelo mesmo motivo, evite adubo formulado com superfosfato. Mantenha o pH em torno de 6,5, sem exagerar em calcário. Renove o substrato a cada dois anos: nesse prazo as raízes tuberosas já ocupam metade do vaso e sobra pouco material para segurar água.
Umidade do ar
Convive bem entre 40% e 65%, faixa de qualquer sala comum, e não exige banheiro nem umidificador. Ar seco de inverno agrava a ponta seca, mas costuma ser o segundo culpado, atrás da água e do adubo: antes de comprar aparelho, revise a qualidade da água e a dose de fertilizante. Um prato largo com pedras molhadas embaixo do vaso já melhora o microclima em cinco ou dez pontos percentuais. Borrifar não muda o resultado, e água parada na quilha da folha nova favorece mancha escura em ambiente sem ventilação.
Temperatura
Faixa ideal entre 16 °C e 26 °C, com boa tolerância ao frio: aguenta 7 °C sem dano visível, o que permite manter o vaso em varanda coberta no inverno da maior parte do país. Abaixo de 5 °C aparecem manchas translúcidas nas fitas mais velhas. Acima de 30 °C com substrato seco a planta para de emitir folhas e concentra reserva nos tubérculos. O calor da cozinha não incomoda, desde que o vaso fique a pelo menos oitenta centímetros do fogão e fora da corrente de ar do exaustor.
Adubação
De outubro a março, adube uma vez por mês com fertilizante equilibrado para folhagens diluído a metade da dose indicada no rótulo. De abril a setembro, suspenda por completo. Essa espécie acumula sal com facilidade e o excesso aparece primeiro na ponta das fitas, exatamente igual ao dano do flúor, o que confunde o diagnóstico. Prefira formulações sem superfosfato. A cada dois meses, lave o substrato na pia com água em abundância por dois minutos: arrasta o sal acumulado e evita a crosta esbranquiçada na borda do vaso.
Poda e limpeza
A poda é estética e rápida. Corte a ponta seca em diagonal, imitando o afilamento natural da fita, e não em linha reta, senão o corte fica evidente. Remova rente à base as fitas amareladas ou dobradas, com tesoura limpa. Se a prioridade é folhagem densa, corte os estolões na base logo que aparecerem: a planta redireciona para a touceira a energia que iria para as mudas aéreas. Se a prioridade são as mudas, deixe no máximo três estolões por vaso e retire os demais para não esgotar a reserva.
Vaso e transplante
Prefira vaso rígido, de cerâmica ou plástico grosso: os tubérculos empurram as paredes e deformam recipiente fino em duas ou três temporadas. Recipiente largo e raso, de dezoito a vinte e dois centímetros de boca e doze de fundura, atende bem, e um pouco de aperto favorece a emissão de estolões. Transplante a cada dois anos, aumentando o diâmetro em dois ou três centímetros, ou aproveite para dividir a touceira em duas. Para vaso suspenso, calcule o gancho com o dobro do peso molhado e conte com as mudas penduradas somando volume.
Propagação
Espere a muda do estolão abrir três ou quatro folhas e mostrar tocos de raiz de meio a um centímetro. Aí existem dois caminhos: apoiar um vaso pequeno ao lado e prender a muda no substrato ainda ligada à mãe, cortando o estolão duas semanas depois, ou cortar na hora e plantar em substrato úmido, protegido do sol por dez dias. O primeiro método é mais seguro e não perde nenhuma muda. A divisão da touceira também funciona: separe grupos com pelo menos cinco fitas e dois tubérculos firmes.
2 partes de substrato para folhagens, 1 parte de casca de pinus fina e 1 parte de areia grossa ou pedra-pomes.
Intervalo estimado mês a mês
Estimativa para vaso plástico de porte médio, em ambiente de claridade média. Ajuste o vaso, o local e o ar do ambiente na ferramenta completa.
Mantenha o substrato levemente úmido: regue assim que a superfície secar, sem deixar água parada no prato.
Sintomas comuns e o que fazer
A leitura correta do sintoma evita o erro clássico de regar mais uma planta que já está encharcada.
| Sintoma | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|
| Pontas marrom-escuras de dois a cinco centímetros, com faixa amarelada na transição | Flúor da água tratada, superfosfato no adubo ou perlita no substrato, isolados ou somados. | Passe a regar com água de chuva, filtrada por osmose ou desmineralizada, troque o adubo por um sem superfosfato e substitua a perlita por areia grossa no próximo transplante. |
| Nenhum estolão em duas temporadas seguidas | Claridade fraca, vaso grande demais para a touceira ou excesso de nitrogênio, que empurra folha em vez de haste floral. | Aproxime o vaso da janela, mantenha a planta um pouco apertada no recipiente e reduza o adubo à metade. A emissão costuma voltar de fevereiro a maio, com dias mais curtos. |
| Listra clara estreitando, fitas cada vez mais verdes e moles | Luz insuficiente por meses: a planta amplia a área com clorofila para compensar a escassez. | Mude para um ponto com luz indireta forte e corte as fitas totalmente verdes na base. As folhas seguintes já nascem com a listra na largura original. |
| Centro da touceira escuro e mole, fitas soltando ao puxar | Água acumulada na base da roseta ou substrato saturado por dias, geralmente com prato cheio. | Desenvase, corte tubérculo escuro e mole, deixe secar ao ar por algumas horas e replante em mistura arenosa, regando só na borda do vaso a partir de então. |
| Vinco pálido e ressecado no meio da fita, só nas folhas viradas para a janela | Sol direto de verão batendo por mais de uma hora, com a quilha da folha concentrando o calor. | Recue o vaso meio metro ou instale cortina translúcida e gire o recipiente meia volta por mês. A marca não desaparece, então corte as fitas mais atingidas. |
| Substrato transbordando da borda e vaso de plástico abaulado | Raízes tuberosas maduras ocupando mais da metade do volume disponível. | Divida a touceira em duas ou três partes, cada uma com cinco fitas e dois tubérculos firmes, e replante em vasos rígidos dois ou três centímetros maiores. |
Pragas que aparecem com mais frequência
- Cochonilha-farinhenta: Massa branca de aspecto algodonoso escondida entre as fitas, bem no encaixe delas com a base da roseta. Abra a touceira com a mão, limpe cada foco com cotonete e álcool a 70% e aplique calda de sabão neutro por três semanas seguidas, alcançando o centro da planta.
- Pulgão: Aglomerado de insetos verdes ou escuros no estolão, nas flores e na base das mudas aéreas, com resíduo grudento e brilhante. Derrube a colônia com jato de água na pia, apoiando o estolão na mão, e repita a cada três dias por duas semanas. Estolão muito atacado sai cortado na base.
- Ácaro-rajado: Fitas com pontuação clara e aspecto seco, sem brilho, e teia muito fina no verso; frequente perto de aquecedor e ar-condicionado. Lave a folhagem no chuveiro com água morna, fita por fita, aplique óleo de neem diluído no verso e repita em dez dias para pegar a geração nova.
Dicas de cultivo
- Junte a água da rega em uma bacia nos dias de chuva. Meio litro de água de chuva por semana já mantém as pontas íntegras em um vaso de vinte centímetros.
- Deixe a planta um pouco apertada no vaso se o objetivo são as mudas aéreas. Recipiente folgado rende folhagem grande e nenhum estolão.
- Ao dividir a touceira, conte os tubérculos antes de cortar: cada nova parte precisa de pelo menos dois firmes e brancos para se restabelecer em um mês.
- Vale pendurar o vaso a pelo menos um metro e sessenta do chão. Não é questão de toxicidade, e sim de manter as mudas fora do alcance do gato, que as arranca brincando.
- Corte a ponta seca sempre em diagonal, seguindo o afilamento da fita. Corte reto deixa uma marca horizontal que chama mais atenção do que o dano original.
Regar sempre com água de torneira recém-aberta e adubar na dose cheia, o que seca a ponta de todas as fitas.
Curiosidades
- Ela foi uma das espécies testadas no estudo de qualidade do ar em câmara fechada conduzido pela NASA no fim dos anos 1980, com bom desempenho na remoção de formaldeído. Em uma sala real, ventilada, o efeito é bem menor do que a fama sugere.
- A sensibilidade ao flúor tem uso prático em pesquisa: a espécie funciona como bioindicadora de contaminação por fluoreto, porque desenvolve necrose de ponta em concentrações que outras plantas ignoram.
- As mudas do estolão são clones perfeitos da planta-mãe, então um único exemplar de listra bem marcada abastece dezenas de vasos idênticos ao longo de alguns anos, sem nenhuma variação de desenho.
- Os cultivares mais vendidos se distinguem pelo desenho: Vittatum traz a listra clara no centro da fita, Variegatum inverte e coloca a borda clara com o meio verde, e Bonnie repete o Vittatum com as fitas encaracoladas.
casa com cães e gatos · bancada de cozinha · vaso suspenso · primeira planta. Menos indicada para: quem não aceita ponta seca ocasional na folhagem e não pretende trocar a água da rega.
Coloque a clorofito frente a frente
As espécies abaixo têm exigências parecidas e costumam disputar o mesmo lugar da casa. A afinidade indica o quanto elas se aproximam nas 9 escalas.
Se gostou desta, considere também
Filodendro Brasil
Philodendron hederaceum 'Brasil'
96% de afinidade com a clorofito. Folha de cetim em forma de coração com uma faixa verde-limão no meio.
Hera-inglesa
Hedera helix
94% de afinidade com a clorofito. Trepadeira rústica que prefere ambientes frescos.
Planta-do-dinheiro-chinesa
Pilea peperomioides
94% de afinidade com a clorofito. Folhas redondas em pecíolos que giram atrás da luz.
Dúvidas sobre a clorofito
De quanto em quanto tempo regar a clorofito?
Em média, a cada 5 dias no verão e a cada 10 dias no inverno. Mantenha o substrato levemente úmido: regue assim que a superfície secar, sem deixar água parada no prato.
Clorofito precisa de sol direto?
Não. A espécie trabalha com luz indireta média e o sol direto pode marcar as folhas de forma permanente.
É tóxica para cães e gatos?
Não tem princípio tóxico conhecido para cães e gatos, e é uma das pouquíssimas folhagens de interior liberadas sem restrição em casa com animais. Gatos são atraídos pelas fitas finas, que balançam como brinquedo, e mastigam por hábito: o resultado é vômito ocasional por causa da fibra, sem envenenamento. Mantenha as mudas aéreas fora do alcance para preservar a planta, e não o bicho.
Serve para quem nunca cuidou de plantas?
Sim, é uma boa primeira planta. O nível de dificuldade é muito fácil e a manutenção de rotina é baixa, o que dá um índice de facilidade de 65 em 100 no nosso cálculo.
Qual o melhor lugar da casa para ela?
O ambiente que rende melhor é cozinha. A espécie chega a 25 cm a 45 cm, prefere temperatura entre 16°C a 26°C e umidade do ar de 40% a 65%.
Cresce rápido?
O ritmo é rápido. Emite de seis a dez fitas novas por temporada quente e, quando o vaso já está apertado, de três a oito estolões entre fevereiro e maio, cada um carregando de duas a cinco mudas.
Qual substrato usar?
Leve e drenante, sem perlita e sem superfosfato. Uma mistura que funciona bem: 2 partes de substrato para folhagens, 1 parte de casca de pinus fina e 1 parte de areia grossa ou pedra-pomes.
Aguenta ficar sem rega durante uma viagem?
Só por poucos dias. A tolerância ao esquecimento é média: passa duas semanas de férias sem grande estrago.




