- Moraceae
- Luz forte
- Rega moderada
- Tóxica para pets
Figueira-lira
Ficus lyrata
Folha enorme em formato de violino. Árvore de interior com folhas coriáceas e onduladas que exige luz abundante e reage mal a qualquer mudança brusca de lugar.
Índice de facilidade calculado a partir de dificuldade, manutenção, rega, umidade exigida e tolerância a descuido. Como calculamos.
Foto: Photo by David J. Stang · CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons
O que cada nota significa nesta espécie
As mesmas 9 escalas são aplicadas a todas as espécies do catálogo, o que permite a comparação direta entre duas plantas quaisquer.
Quer luz abundante o dia todo, colada em janela com cortina fina.
Rega a cada 7 a 10 dias, quando os primeiros centímetros secam.
Reage rápido a qualquer desequilíbrio de água, ar seco ou luz.
Agradece um agrupamento de vasos ou um prato com pedras úmidas.
Pede pé-direito alto e espaço livre em volta.
Cresce de forma visível a cada estação quente.
Poda, limpeza, adubo e vigilância de pragas com regularidade.
Aguenta cerca de uma semana antes de reclamar.
Sobrevive em canto escuro, mas cresce torta e sem cor.
Sobre a figueira-lira
Na África Ocidental a figueira-lira começa a vida no alto: a semente germina na forquilha de outra árvore e lança raízes que descem até o chão, engrossando ao redor do tronco hospedeiro até substituí-lo. Uma árvore adulta passa dos doze metros e sustenta folhas coriáceas de quase meio metro, com bordas onduladas que lembram o corpo de um violino. Dentro de casa esse porte fica reduzido a dois ou três metros, mas o desenho da folha permanece igual, e é ele que explica a presença dessa espécie em tanta fotografia de interior.
Em vaso, a lira cresce em haste única enquanto ninguém interfere: um caule central que empurra folhas novas do topo e abandona as de baixo à medida que ganha altura. Cada folha é uma placa larga e pesada, cara de produzir, e a planta só monta uma nova quando tem energia sobrando. Por isso a claridade importa tanto aqui: em ponto bem iluminado ela emite uma folha a cada três semanas no calor; a dois metros de distância da janela, a produção cai para duas ou três folhas por ano.
A fama de difícil vem de um traço específico. A espécie leva semanas para ajustar o metabolismo a um novo nível de luz e umidade, e enquanto faz esse ajuste derruba folhas. Trocar o vaso de cômodo, girá-lo meia volta ou trazê-lo da estufa da floricultura para uma sala fechada produz o mesmo resultado: folhas caindo por quinze dias. Não é doença nem falta de água. O caminho é escolher o lugar definitivo antes de comprar e resistir à tentação de mudar a planta enquanto ela reclama.
Como todo fícus, ela tem látex branco que escorre de qualquer corte e mancha piso, roupa e pele sensível. Esse leite também é o motivo de a folhagem ser considerada tóxica para cães e gatos. Outro detalhe prático: as folhas são grandes e capturam poeira em quantidade, o que reduz a fotossíntese de forma perceptível em poucos meses. Um exemplar bonito é, antes de tudo, um exemplar limpo, com o topo conduzido por poda e o tronco firme o bastante para sustentar o peso da copa.
Também conhecida como: Fícus-lira, Figueira-folha-de-violino, Lira.
O látex leitoso dos ramos e das folhas irrita a boca e o estômago de cães e gatos, com salivação intensa e vômito, e provoca dermatite em pessoas de pele sensível. Use luvas na poda e recolha as folhas que caírem no chão.
Rotina de cultivo, ponto por ponto
Iluminação
Quer o ponto mais claro da casa sem raio batendo na folha: a menos de um metro de uma janela grande voltada para o leste, ou atrás de cortina fina em janela ampla de outra orientação. Claridade insuficiente aparece primeiro no espaçamento entre as folhas, que aumenta, e depois no tamanho delas, que diminui. Sol direto da tarde queima placas marrons no meio da lâmina. Se o único lugar disponível tiver luz fraca, uma lâmpada de cultivo acesa por dez horas resolve boa parte do problema.
Rega
Regue quando os cinco primeiros centímetros do substrato estiverem secos, o que costuma dar oito dias no verão e treze no inverno em vaso de trinta centímetros. Molhe devagar, em círculos, até a água sair pelos furos, e esvazie o prato depois de dez minutos. Ela detesta os dois extremos: substrato encharcado apodrece a raiz e provoca manchas escuras que avançam da borda para o centro; secar por completo faz a folha murchar e cair sem aviso prévio.
Solo e substrato
Precisa de um substrato que segure nutriente sem virar barro. A mistura de terra vegetal com casca de pinus e perlita mantém ar entre as partículas mesmo depois de um ano de regas, e o húmus dá a fertilidade que uma folhagem desse tamanho consome. Evite substrato pronto muito fino e turfoso: ele encolhe ao secar, descola das paredes do vaso e faz a água escorrer pelas laterais sem molhar o miolo da raiz.
Umidade do ar
Entre 50% e 70% de umidade relativa a folhagem fica firme e sem bordas queimadas. Em sala com ar-condicionado ligado o dia inteiro o número cai para perto de 35%, e as margens das folhas escurecem e endurecem. Um umidificador pequeno a dois metros do vaso, um agrupamento com outras plantas ou uma bandeja larga com argila expandida molhada corrigem a diferença. Borrifar a folha tem efeito curto e, com pouca ventilação, favorece mancha bacteriana.
Temperatura
Trabalha bem entre 18 °C e 27 °C e não gosta de variação rápida. Abaixo de 13 °C a raiz reduz a absorção de água enquanto a folha continua transpirando, e o resultado é queda de folhagem em pleno inverno. Acima de 32 °C com ar seco, as bordas secam. Os dois vilões domésticos são o jato do ar-condicionado e a corrente fria de porta de varanda aberta à noite: nenhum fícus tolera esse tipo de sopro constante.
Adubação
Na primavera e no verão, adube a cada vinte dias com fertilizante para folhagens rico em nitrogênio, na dose do rótulo. Essa é uma planta que constrói estrutura lenhosa e folhas grandes, então consome mais do que a média das espécies de interior. No outono reduza para uma aplicação mensal e no inverno suspenda. Crosta branca na superfície do substrato indica sal acumulado: lave o vaso com água abundante na pia e volte a adubar só no mês seguinte.
Poda e limpeza
A poda de topo é o que transforma uma vara solitária em árvore com copa. Corte o ápice do caule no fim do inverno, logo acima de uma folha, e espere: em quatro a seis semanas brotam dois ou três ramos laterais abaixo do corte. Encoste um pano seco na ferida por um minuto, porque o látex escorre bastante. Aproveite a rotina para limpar as folhas com pano úmido dos dois lados a cada quinze dias.
Vaso e transplante
Use vaso com furo largo e diâmetro apenas três a cinco centímetros maior que o anterior; excesso de substrato úmido em volta da raiz é o caminho mais curto para a podridão. A partir de um metro e meio de altura o conjunto fica pesado no topo, e o vaso precisa ter base larga ou receber peso extra no fundo. Transplante a cada dois anos no início da primavera e, nos anos intermediários, troque só os cinco centímetros superiores do substrato.
Propagação
A alporquia dá o melhor resultado. Escolha um trecho de caule com dois centímetros de diâmetro, raspe um anel de casca de um centímetro, envolva com esfagno úmido e plástico transparente e amarre nas duas pontas. Em seis a dez semanas surgem raízes visíveis; corte abaixo delas e plante. Estaca de ponta com uma folha também funciona: deixe o corte secar por uma hora para estancar o látex, aplique hormônio de enraizamento e mantenha em substrato leve e quente.
2 partes de terra vegetal, 1 parte de casca de pinus média, 1 parte de perlita e um punhado de húmus de minhoca.
Intervalo estimado mês a mês
Estimativa para vaso plástico de porte médio, em ambiente de claridade média. Ajuste o vaso, o local e o ar do ambiente na ferramenta completa.
Regue quando os 3 primeiros centímetros do substrato estiverem secos ao toque.
Sintomas comuns e o que fazer
A leitura correta do sintoma evita o erro clássico de regar mais uma planta que já está encharcada.
| Sintoma | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|
| Queda de folhas poucos dias depois de mudar o vaso de lugar | Estresse de aclimatação: a planta ajusta o metabolismo ao novo nível de luz e descarta as folhas que não consegue sustentar. | Deixe o vaso parado no lugar escolhido, mantenha a rega regular e não adube por um mês. A emissão de folhas volta ao normal em quatro a seis semanas. |
| Manchas marrons escuras nascendo na borda da folha e avançando para dentro | Excesso de água na raiz, quase sempre por prato cheio ou substrato compactado. | Tire a planta do vaso, corte as raízes escuras e moles, replante em mistura com mais perlita e só volte a regar quando a superfície estiver seca há três dias. |
| Pontos marrons secos no meio da lâmina, com aspecto de papel | Ar muito seco somado a acúmulo de sal de adubo no substrato. | Lave o substrato na pia com água abundante, corte a dose de fertilizante pela metade e aumente a umidade em volta do vaso. |
| Folhas novas cada vez menores e caule alongado | Luz insuficiente por vários meses. | Aproxime o vaso da janela ou instale uma lâmpada de cultivo por dez horas diárias. Corte o topo no fim do inverno para forçar ramos novos mais compactos. |
| Folhas amarelas caindo na base do tronco | Comportamento normal do crescimento vertical, agravado por rega irregular. | Uma folha velha de vez em quando é esperada. Se caírem várias na mesma semana, confira a umidade do substrato antes de qualquer outra coisa. |
Pragas que aparecem com mais frequência
- Cochonilha-farinhenta: Grumos algodonosos na axila do pecíolo e melado pegajoso escorrendo sobre as folhas de baixo. Passe cotonete com álcool a 70% em cada grumo, lave a folhagem com calda de sabão neutro e repita a cada cinco dias por três semanas.
- Ácaro-vermelho: Folha sem brilho, com pontilhado claro no verso e teia fina no encontro do pecíolo com o caule. Leve o vaso ao chuveiro e lave o verso das folhas com água morna, depois aplique óleo de neem diluído em duas sessões com dez dias de intervalo.
- Tripes: Riscos prateados e pontinhos escuros no verso das folhas novas, que abrem deformadas. Retire as folhas mais atacadas, instale armadilha adesiva azul perto do vaso e trate o ponto de crescimento com óleo de neem a cada sete dias.
Dicas de cultivo
- Escolha o canto definitivo antes de levar a planta para casa. Cada mudança de posição custa algumas folhas e semanas de recuperação.
- No transporte da loja, envolva a copa em papel solto de baixo para cima. Folha dobrada dentro do carro marca e não desamassa.
- Ao limpar, apoie a mão embaixo da folha enquanto passa o pano na face de cima. Sem apoio, o pecíolo racha com a pressão.
- Um tutor de bambu amarrado com fita macia mantém o tronco reto nos dois primeiros anos, enquanto a madeira ainda é flexível.
- Gire o vaso um oitavo de volta por mês, em vez de meia volta de uma vez. Mudanças pequenas de luz não desencadeiam queda de folha.
Mudar a planta de lugar em busca do ponto perfeito e derrubar folha atrás de folha nessa procura.
Curiosidades
- O epíteto lyrata vem do latim para lira: quem descreveu a espécie viu no contorno estreito no meio e largo na ponta o formato do instrumento antigo. Em inglês a comparação virou violino, e o apelido acabou atravessando idiomas.
- Na natureza é uma hemiepífita estranguladora: germina sobre outra árvore, desce raízes até o solo e acaba envolvendo o tronco que a hospedou, que morre sufocado por falta de luz e espaço.
- Ela só ganhou espaço nas casas a partir dos anos 2010, empurrada por revistas de decoração e redes sociais. Antes disso era planta de jardim tropical e de saguão de edifício, raramente vendida em vaso pequeno.
- Cada folha adulta pode passar de quarenta centímetros de comprimento e é sustentada por um pecíolo curto e rígido, o que torna a copa surpreendentemente pesada para a espessura do tronco jovem.
sala com janela grande · quem quer uma árvore de interior · ponto focal de ambiente. Menos indicada para: ambientes escuros, casas com animais que roem folhagem e quem muda os móveis de lugar com frequência.
Coloque a figueira-lira frente a frente
As espécies abaixo têm exigências parecidas e costumam disputar o mesmo lugar da casa. A afinidade indica o quanto elas se aproximam nas 9 escalas.
Se gostou desta, considere também
Areca-bambu
Dypsis lutescens
92% de afinidade com a figueira-lira. Touceira leve de hastes finas e amareladas.
Seringueira
Ficus elastica
89% de afinidade com a figueira-lira. Folha larga e envernizada que aguenta descuido.
Begônia-maculata
Begonia maculata
88% de afinidade com a figueira-lira. Folha de bolinhas prateadas e verso vinho.
Alocásia-amazônica
Alocasia x amazonica
88% de afinidade com a figueira-lira. Folha de flecha com nervuras brancas em relevo.
Dúvidas sobre a figueira-lira
De quanto em quanto tempo regar a figueira-lira?
Em média, a cada 8 dias no verão e a cada 13 dias no inverno. Regue quando os 3 primeiros centímetros do substrato estiverem secos ao toque.
Figueira-lira precisa de sol direto?
Não de sol direto na folha, mas de muita claridade: o ideal é junto a uma janela clara, com cortina fina filtrando o excesso.
É tóxica para cães e gatos?
O látex leitoso dos ramos e das folhas irrita a boca e o estômago de cães e gatos, com salivação intensa e vômito, e provoca dermatite em pessoas de pele sensível. Use luvas na poda e recolha as folhas que caírem no chão.
Serve para quem nunca cuidou de plantas?
Ela cobra alguma experiência. O nível de dificuldade é exigente e a manutenção de rotina é alta, o que dá um índice de facilidade de 31 em 100 no nosso cálculo.
Qual o melhor lugar da casa para ela?
O ambiente que rende melhor é sala de estar. A espécie chega a 1,2 m a 3 m, prefere temperatura entre 18°C a 27°C e umidade do ar de 50% a 70%.
Cresce rápido?
O ritmo é moderado. Em local claro produz de dez a quinze folhas por temporada quente e ganha perto de trinta centímetros de altura por ano. No frio interrompe o crescimento por completo.
Qual substrato usar?
Fértil, encorpado e com drenagem rápida. Uma mistura que funciona bem: 2 partes de terra vegetal, 1 parte de casca de pinus média, 1 parte de perlita e um punhado de húmus de minhoca.
Aguenta ficar sem rega durante uma viagem?
Só por poucos dias. A tolerância ao esquecimento é pequena: aguenta cerca de uma semana antes de reclamar.




